
Ascensão da extrema direita na Alemanha. Caricatura de 07/09/2026 publicada na CTXT
No último dia 6 de setembro, a extrema direita alemã obteve sua maior vitória eleitoral desde o fim da era nazista. O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve 43,8% dos votos na Saxônia-Anhalt, um dos estados federados mais pobres do leste do país, com apenas dois milhões de habitantes, durante as eleições regionais. Embora o partido tenha ficado à beira da maioria absoluta e precise formar uma coalizão com seus oponentes para governar, esse resultado agitou ainda mais o cenário político.
O programa eleitoral da AfD para a Saxônia-Anhalt, abertamente xenófobo, defende a “remigração”, restrições ao acesso ao aborto, a rejeição ao ambientalismo e uma “revolução cultural patriótica” para reformular a memória do nazismo, flertando com estratégias para normalizá-lo ou branquear sua imagem.
Eles prometeram fechar as fronteiras, expulsar imigrantes e restringir as políticas sociais para os estrangeiros. Assim, eles exploram o descontentamento de muitos com a situação econômica e aproveitam para apontar o imigrante como culpado de todos os males, tal como fazem todas as formações populistas de extrema direita, repletas de demagogos, racistas e reacionários.
A ascensão da extrema direita na Alemanha não é algo recente; já há uma década ela vinha obtendo bons resultados nas pesquisas e, pela primeira vez, derrotou os Democratas Cristãos (CDU) da chanceler Angela Merkel, ficando em terceiro lugar nas eleições regionais de 4 de setembro de 2016 e em segundo lugar em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Já naquela época, os nazistas do AfD reutilizavam terminologia nazista para deixar claro qual era a sua posição.
O AfD vem ganhando espaço político graças ao apoio de figuras como Elon Musk, que participou de um de seus comícios em apoio à sua candidata, Alice Weidel, ocasião em que Musk pediu que os alemães “não se sintam culpados” pelo Holocausto.
E, enquanto isso, por aqui, alguns continuam tentando abrir um debate sobre o quanto é péssimo e contraproducente chamar um nazista de nazista, porque, se não andam com a suástica no braço e não estão exterminando pessoas em câmaras de gás, eles são outra coisa: democráticos e normais.
Também há pessoas que afirmam que esse grupo não simpatiza com o nazismo porque sua líder, Alice Weidel, é lésbica, é casada com uma imigrante, tem filhos imigrantes adotados e mora na Suíça. Ora, é como se fossem apenas nazistas racistas “light” e modernos. Ernst Röhm deve estar morrendo de rir no seu túmulo.
Pois bem, essa mulher já prometeu expulsar todos os ucranianos e sírios acolhidos na Alemanha e que exigirá que a UE devolva à Alemanha o dinheiro que o país contribuiu.
Muitas charges têm destacado o cheiro nazista que emana do AfD, como na do cartunista holandês Tjeerd Royaards, que viu sua charge ser removida do LinkedIn por “violar as normas profissionais”.

Uma breve revisão de algumas dessas tirinhas.




TR: Ora, qual é! Você não! Você não percebe que o passado está voltando? – Exatamente – No fundo, foi bom – Que passado?



TR: Título: A extrema direita AfD vence eleições estaduais decisivas na Alemanha. “E lembre-se: a fraude está consumada quando a humilhação do inimigo é percebida como prosperidade”





Há muitas outras charges sobre esse assunto nesta galeria do Cartooning for Peace e nesta outra do Cartoon Movement







