
A guerra. Cartoon de 01/03/2026 em CTXT
Tradução do cartoon. Trump e Netanyahu a cantar: "Nós somos o mundo, nós somos o assassino".
Há muito que o mundo é uma grande caixa de fogos de artifício com um bando de malucos sentados lá dentro a fumar. Na madrugada de sábado, 28 de fevereiro, dois desses malucos decidiram que era altura de pegar fogo à caixa.
Assim, Trump anunciou no seu clone do Twitter"uma grande operação de combate conjunta" com o seu colega Netanyahu, o carniceiro de Israel, contra as principais instituições do Irão para "proteger o povo americano eliminando a ameaça que representa o regime iraniano" e que o Irão "nunca poderá ter armas nucleares" e que "aniquilarão a sua marinha e toda a sua indústria de mísseis". Pouco depois, confirmou o assassinato do Ayatollah Ali Khamenei.
Trump, que prometeu que os EUA deixariam de ser o "xerife" do mundo e de fazer guerra no estrangeiro (e os seus tacanhos eleitores acreditaram), está mais uma vez a mergulhar o país na guerra sem sequer tentar obter a autorização do Congresso ou, pelo menos, o "apoio" da opinião pública e sem um motivo claro para o ataque.
Quase todas as sondagens nos EUA concordam que a maioria dos americanos não apoia a guerra de Trump no Irão. Para citar algumas, como esta sondagem Reuters/Ipsos, apenas um em cada quatro americanos diz apoiar os ataques. Outra sondagem da CBS mostra que 62% dos adultos norte-americanos inquiridos não acreditam que a administração Trump tenha dado uma explicação clara dos objectivos que persegue no Irão.
O Irão respondeu à agressão com vários ataques contra o território israelita e fechou o seu espaço aéreo. Os meios de comunicação social iranianos começaram a relatar explosões em Teerão e noutras cidades, como Tabriz, Isfahan e Karaj.
O departamento de guerra dos EUA chamou ao ataque"Operação Fúria Épica", enquanto Israel apelidou a operação contra o Irão de "Lion's Roar" e justificou-a dizendo que "este regime terrorista assassino não deve armar-se com armas nucleares".
O Irão enviou mísseis para uma base naval dos EUA no Barém e terá também atacado outra base dos EUA no Kuwait, enquanto há relatos de explosões provenientes do Qatar, dos Emirados Árabes Unidos e do Iraque. Na Jordânia, foram registadas explosões no meio das passagens de mísseis. Israel também começa a bombardear o Líbano, enquanto a China se pronuncia a favor de uma trégua e o resto do mundo ainda não sabe onde pôr os ovos para não incomodar o Cheeto.
Estão a chegar as primeiras informações sobre um bombardeamento de uma escola primária no Irão que terá provocado a morte de pelo menos cinco alunas. A agência noticiosa estatal iraniana IRNA afirma que um ataque israelita atingiu a escola primária feminina Shajareh Tayyebehen Minab, na província de Hormozgan, no sul do Irão.
Pouco depois, segundo as agências iranianas Mehr e Irna, a procuradoria de Minab elevou para 85 o número de mortos no ataque israelita à escola primária das raparigas. O número de pessoas mortas no local acabaria por subir para 168.
Israel e os EUA ou não admitem nada ou negam tudo e a única coisa que disseram foi o habitual, que nunca bombardeiam civis e que estão a "considerar investigar". A Barbie sociopata e a porta-voz da Casa Branca , Karoline Leavitt, atacaram a imprensa, acusando-a de cair na"propaganda iraniana" sobre o seu envolvimento no ataque à escola Imagens verificadas pela BBC confirmam que a escola de raparigas no Irão foi repetidamente bombardeada.
Para Trump, a Espanha já é um país "perdedor", um "péssimo aliado" e não sei que mais tretas e faz bluff sobre "cortar o comércio" depois de o governo de Xanxe Dog o ter avisado de que a utilização das bases de Morón e Rota para ataques ao Irão não seria autorizada. As bases de uso comum, mas de soberania espanhola, não vão ser utilizadas para nada que não esteja previsto no tratado ou fora da Carta das Nações Unidas", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Albares, numa entrevista à RTVE.
Nos termos do acordo assinado em 1988 entre a Espanha e os EUA, que regula a presença e a utilização de bases militares americanas em território espanhol, o nº 2 do artigo 2º estipula que qualquer operação que se afaste da utilização acordada"requererá a autorização prévia do Governo espanhol". A Carta das Nações Unidas proíbe o uso da força entre Estados, exceto se autorizado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas (artigo 42º) ou se um país estiver a agir em legítima defesa contra um ataque armado (artigo 51º).
Já se começam a fazer estimativas do que esta "guerra" vai custar aos Estados Unidos - cerca de 200 mil milhões de dólares. Ainda ninguém se atreveu a calcular as perdas humanas. Mas talvez devessem, porque não se trata de uma Blitzkrieg.

Tensão na região. Cartoon de 13/01/2023 em CTXT
Tudo indica que esta situação se vai prolongar por muito tempo e que o império norte-americano poderá ficar preso, uma vez mais, numa outra guerra sem fim, que tem todas as hipóteses de se estender do Médio Oriente a grande parte do resto do mundo.

El Gordo. Desenho animado de 22/12/2024 em CTXT
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