O roteiro louco da morte de Jamal Khashoggi

 
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    Desenho animado de Domingo 21/10/2018 em CTXT

    Jamal Khashoggi no consulado da morte

    O jornalista Jamal Khashoggi entrou no consulado saudita em Istambul no dia 2 de Outubro e nunca mais saiu, tanto quanto se sabe, ou em que estado, se é que existe algum. A sua noiva turca, Hatice Cengiz, esperou por ele durante horas fora do edifício, onde Khashoggi tinha ido para processar a papelada para se casar.

    Com o passar dos dias, o roteiro desta história começa a dar voltas e reviravoltas, cada uma mais louca que a última, ao ponto de se tornar difícil estabelecer uma cronologia fiável do que supostamente aconteceu dentro da embaixada.

    A primeira versão é que ele foi torturado e os dedos de uma mão foram cortados, depois a sua garganta foi cortada, e finalmente ele foi cortado até à morte com uma serra por um suposto cientista forense, que tinha viajado para Istambul como parte de um comando de 15 sauditas. Um meio de comunicação turco, o diário local Yeni Safak, afirma ter gravações áudio que confirmam esta versão, se elas existirem, ninguém foi capaz de as ouvir até agora.

    Diz-se mesmo que o matadouro tinha pedido que fosse tocada música para tornar o corte do jornalista mais agradável. Tudo isto de acordo com as imagens divulgadas pela Turquia mostrando estas pessoas a entrar no consulado no dia do desaparecimento de Khashoggi.

    Alguns meios de comunicação social começam a falar sobre este comando ser composto por pessoal dos serviços de segurança da monarquia saudita.

    O roteiro louco da morte de Jamal Khashoggi

    Desenho animado de 22 de Outubro de Tjeerd Royaards (Países Baixos)

    A Arábia Saudita passou de tocar o longui durante dias a reconhecer que Khashoggi tinha morrido no consulado numa luta de punhos e que não sabe onde estão os seus restos mortais, e a anunciar que cerca de 18 sauditas tinham sido presos e que está a investigar o assunto.

    O argumento explode e lemos tudo, que ele morreu num interrogatório que correu mal(de acordo com a CNN) quando estava a ser raptado para ser levado para a Arábia Saudita. Há também imagens de um suposto duplo corpo de Khashoggi, ou alguém vestido como ele, a fazer um desfile bastante desonesto. Há também imagens de pessoas na embaixada queimando documentos na véspera do assassinato do jornalista.

    Dogu Perincek, líder do Partido Patriótico da Turquia, afirma que pedaços do corpo do jornalista saudita foram encontrados num poço dentro do complexo do consulado saudita em Istambul. Nada confirmado. Assim diz o homem, que também não é uma fonte muito fiável. O corpo ainda está desaparecido.

    A Turquia insiste que o assassinato foi“monstruosamente planeado” e confesso que me perdi há algum tempo entre tantos enredos, posso até ter-me enganado na ordem dos enredos, pois as supostas provas e acusações continuam a surgir no que já parece ser um guião fugidio baseado na guerra da saturação da informação.

    Mas a história promete continuar a oferecer novas parcelas, de acordo com a Sky Newsos restos mortais de Khashoggi foram encontrados hoje no jardim da residência do cônsul saudita. No entanto, o Ministério Público, consultado pelo canal oficial turco TRT, nega que o corpo de Khashoggi tenha sido encontrado e nega as fotos que circulam.

    A polícia de Istambultambém nega isto e insiste que ainda estão à procura do corpo.

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    Desenho animado de 15/09/2018 em CTXT

    Aqui o debate, para além das críticas à passividade do governo neste caso, centra-se no dilema de se continuar a vender pepinos à Arábia Saudita está certo ou errado. Angela Merkel decide suspender a venda de armas à Arábia Saudita até que o caso Khashoggi seja resolvido e apela aos seus parceiros europeus para que façam o mesmo.

    Entretanto, em Espanha, o PSOE e o PP, com a abstenção de Ciudadanos, votam contra a suspensão da venda de armas à Arábia Saudita e Susana Díaz é claro, ela não quer saber do trabalho e de tudo isso.

    “A minha unidade de medida são as Nações Unidas e até agora não disse que as armas não podem ser vendidas à Arábia Saudita”.


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