Bolsonaro, condenado por golpismo

16.07.2026|

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Bolsonaro, condenado por golpismo

Bolsonaro, condenado por golpismo. Caricatura de 23/09/2025 publicada na CTXT

Em uma decisão histórica, o Supremo Tribunal Federal do Brasil condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por participar de uma tentativa de golpe de Estado após perder as eleições presidenciais de outubro de 2022 para Luiz Inácio Lula da Silva. Bolsonaro se torna, assim, o primeiro ex-chefe de Estado condenado por golpismo.

Quatro dos cinco juízes da Suprema Corte que o condenaram consideraram que há provas suficientes de que o ex-presidente do Brasil participou de uma conspiração para facilitar um golpe de Estado, e o juiz relator levou em conta a circunstância agravante de que a acusação o considerou “líder” de uma“organização criminosa”.

Em 8 de janeiro de 2023, os bolsonaristas invadiram as três sedes dos poderes em Brasília. Hordas de fascistas, seguidores de Jair Bolsonaro, invadiram a Praça dos Três Poderes, em Brasília, e entraram à força na sede do Congresso, destruindo tudo o que encontravam pelo caminho — inclusive obras de arte — e agindo como desequilibrados. Algo muito semelhante, ou um ato reflexo, ao que aconteceu em 6 de janeiro de 2021 com ainvasão do Capitólio dos EUA pelos trumpistas. 

Monumento

Monumento. Ilustração de 14/01/2023 na CTXT

O objetivo dos bolsonaristas era tentar impedir a posse de Lila da Silva e reivindicavam uma “intervenção federal”, que nunca ocorreu. Agora, de acordo com a sentença, ficou comprovado que Bolsonaro incitou seus simpatizantes a bloquear rodovias com caminhões em todo o país e até mesmo a acampar em frente a quartéis do Exército para exigir a anulação da eleição de Lula como presidente e a realização de uma intervenção militar pelas Forças Armadas.

Bolsonaro, copiando à risca tudo o que há de pior nas práticas trumpistas, também tentou impedir o voto de Lula instalando bloqueios em áreas de influência da esquerda, questionando a confiabilidade das urnas eletrônicas sem apresentar qualquer prova e deu a entender que não aceitaria os resultados das eleições se a votação não fosse feita com cédulas de papel.

A investigação confirma que, durante esses dias, Bolsonaro se reuniu com comandantes das Forças Armadas para propor um “estado de emergência” e anular o resultado das eleições. No entanto, a falta de apoio dos militares do Exército e da Força Aérea impediu que a conspiração fosse adiante.

Um dos colaboradores de Bolsonaro admitiu perante o Supremo Tribunal Federal ter elaborado um plano para assassinar Lula e seu vice-presidente, Gerardo Alckmin.

Atualmente, a direita brasileira e os Estados Unidos continuam pressionando para impedir sua condenação, enquanto no domingo, dia 21, a esquerda saiu em massa às ruas nos 26 estados do país para protestar contra a proposta de anistia a Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, e aos demais golpistas.

Por fim, vamos relembrar alguns de seus grandes sucessos.

Quem diria que um cara que, há anos, já anunciava sem pudor que destruiria a democracia para iniciar uma guerra civil ou que daria um golpe de Estado e mataria quem fosse preciso“fazendo o trabalho que o regime militar não fez” seria um verdadeiro golpista? Repare na ironia.

Naquela época, esses sociopatas golpistas, violentos, fascistas, machistas, misóginos e homofóbicos — entre muitas outras coisas, todas ruins — eram carinhosamente chamados de “populistas” ou simplesmente de “figuras polêmicas” ou “controversas”.

Bolsonaro está acabado, o problema é que seus apoiadores não estão.

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