
Caricatura de Renato Aroeira que mobilizou os cartunistas brasileiros contra Bolsonaro
O governo do Brasil ameaça processar o cartunista Renato Aroeira por causa dessa charge e também o experiente jornalista Ricardo Noblat por compartilhá-la em seu blog na revista “Veja”. O governo do ultradireitista Jair Bolsonaro solicitou uma investigação e, para isso, recorre a uma lei da ditadura, o artigo 26 da Lei de Segurança Nacional, aprovada em 1983, na época de João Figueiredo, o último ditador do Brasil.
De acordo com esse artigo, que prevê os crimes de “calúnia” ou “difamação” contra o presidente da República, o presidente do Senado, o presidente da Câmara dos Deputados ou o presidente do Supremo Tribunal Federal, o cartunista e o jornalista poderiam ser condenados a uma pena de um a quatro anos de prisão.
A charge de Aroeira intitulada“Crime continuado” foi publicada em 14 de junho no Brasil 247e mostra Jair Bolsonaro com um balde de tinta e um pincel, após ter transformado o símbolo da Cruz Vermelha ao acrescentar quatro traços pretos que transformam esse ícone universal da saúde em uma suástica. A caricatura de Bolsonaro acrescenta: “Vamos invadir outro?”.
Aroiera já havia tido problemas com a Federação Judaica do Rio em abril de 2019 por causa de outra charge na qual também aparecia a suástica. Naquela ocasião, Bolsonaro e Netanyahu a formavam com os braços.
Não gosta de quadrinhos? Pois vai se fartar deles
Várias organizações brasileiras de jornalistas criticaram e rejeitaram a resposta do governo, mas a reação dos cartunistas brasileiros em solidariedade a Renato Aroeira, sob a hashtag #SomosTodosAroeira, foi a mais contundente e avassaladora. Um grande número de cartunistas brasileiros e de alguns outros países publicou uma enxurrada de versões da charge de Aroeira, e a coleção não para de crescer.
Se Bolsonaro tinha problemas com a imagem de Aroeira, que se prepare, porque as tirinhas agora se espalham na velocidade máxima da internet quando a coisa fica feia.
Aqui estão apenas algumas, mas se derem uma olhada na internet, vão descobrir muitas outras.

Quinho Ravelli ( Brasil)

Mario Alberto ( Brasil)

Zé Dassilva (Brasil)

Solano e Chewie. O Circular (Brasil)

Samuca Andrade (Brasil)

Rote (Brasil)

Quinho Ravelli ( Brasil)

PX Molina (Nicarágua)

Paulo Thumé (Brasil)

Osmani Simanca (Brasil)

Nelson Cruz (Brasil)
Marcio Vaccari ( Brasil)

Marcelo Magon (Brasil)

Luiz Carlos Fernández ( Brasil)
Leandro Bierhals (Brasil)
Lenadro A. Trocoli ( Brasil)

Carlos Latuff (Brasil)

Jorge Inácio (Brasil)
Jorge Braga (Brasil)

João Silveira (Brasil)

João Carlos Mattias ( Brasil)

JBosco Azevedo (Brasil)
Izanio Facanha ( Brasil)
Guto Respi (Brasil)
Gilmar ( Brasil)

Gil Brito (Brasil)

Gabriel Renner (Brasil)

Fred Martins, Gabinete do Ministro (Brasil)
Cau Gomez (Brasil)

Eloar Guazzelli (Brasil)
Elias Ramirez Monteiro (Brasil)
Ed Wexler (EUA)

Zandré (Brasil)

Carlos Amorín (Brasil)
Bruno Ortiz Monllor (Brasil)

Brum (Brasil)
Boris Szuster Woloszyn ( Brasil)
Biratan Porto (Brasil)
Beto (Brasil)

André Carrilho (Brasil)
Alejandro Becares ( Brasil)
Adriano Dicart (Brasil)
A esse respeito, há mais de 150 casos em diversos países.
O humor em apuros: compilação de casos (III)
Casos de cartunistas que enfrentaram problemas de certa gravidade por causa de suas tirinhas ou ilustrações satíricas. Há também algumas histórias de outras pessoas que, sem serem cartunistas, tiveram problemas por compartilhá-las.
























