Sindicato da polícia pede a retirada de uma charge de uma exposição sobre direitos humanos

16.07.2026|

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Sindicato da polícia pede a retirada de uma charge de uma exposição sobre direitos humanos

Caricatura do brasileiro Elihu Duayer (2018). Na cena, três policiais da tropa de choque riem às gargalhadas enquanto leem um livro sobre direitos humanos.

Mais do mesmo: mais um caso de sindicato policial que nãoaceita a liberdade de expressão e tenta reprimi-la.

O ErNE, sindicato da Ertzaintza, pede a retirada de uma ilustração de uma exposição em Getxo sobre direitos humanos organizada pela UNESCO Etxea. Segundo o sindicato, a imagem associa a polícia à tortura.

A exposição itinerante foi organizada em 2018 pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e pela Cartoon Movement por ocasião do 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

São apresentados os 30 artigos da declaração, ilustrados com vinhetas de cartunistas de diversos países.

A disposição correspondente ao artigo 5º, sobre a tortura, foi o que levou o principal sindicato da polícia autônoma do País Basco a solicitar que se retirasse do acordo.

Artigo 5º: Ninguém poderá ser submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.

A Prefeitura de Getxo não retirará a vinheta

A Prefeitura de Getxo já respondeu ao sindicato para informar que não pretende retirar a charge, e a UNESCO Etxea esclarece que a charge não se refere à Ertzaintza (presumo que devido ao caráter universal ou global da exposição) e que se refere a policiais de outros países. Basta dar uma olhada no cenário internacional.

Mas o porta-voz e secretário-geral da ErNE, Roberto Seijo, não está de acordo. Em entrevista à EITB, ele afirma que a charge se refere a todas as forças policiais.

"(...) o que não pode acontecer é que tentem excluir uma parte da polícia, quando, no fim das contas, trata-se de uma charge que abrange toda a polícia em geral".

Seijo considera que essa charge não deve ser exibida em complexos esportivos e instituições e acrescenta:

"Em determinado momento, podemos admitir que esse tipo de caricatura possa se enquadrar na liberdade de expressão em muitos lugares, como uma revista ou qualquer outro meio, mas em uma declaração da ONU sobre a Declaração dos Direitos Humanos, para nós, isso é inaceitável".

Diante da recusa da Prefeitura de Getxo em retirar a ilustração, o sindicato anunciou que já está pensando em entrar com uma queixa.

"Vamos tentar registrar uma queixa; amanhã (referindo-se à terça-feira, 3 de dezembro) vão nos transferir, e vamos ver se conseguimos levá-lo ao Tribunal de Instrução de Getxo ou à própria Promotoria para registrar a queixa".

Apoio da APIM

A Associação de Profissionais de Ilustração de Madri (APIM) manifestou publicamente seu apoio ao autor

" Nós, da APIM, acreditamos na liberdade de expressão e consideramos que a defesa da sátira é imprescindível em uma sociedade que se autodenomina livre. Todo o nosso apoio ao trabalho do colega Elihu Duayer".

Atualização de 11/12/2019. O PP se aproxima 

Ainda não se sabe nada sobre a denúncia da ErNE, mas o PP basco quer tirar proveito político do assunto, apesar de a exposição terminar hoje, quarta-feira, dia 11. Na sexta-feira, dia 13, dia da sessão plenária de controle no Parlamento do País Basco, a deputada Nerea Llanos fará uma pergunta à secretária de Segurança do Governo Autônomo, Estefanía Beltrán de Heredia.

Ele perguntará por que você não protestou contra a inclusão dessa charge, na qual, em sua opinião, “a Ertzaintza é rotulada como torturadora e a defesa dos direitos humanos é ridicularizada”.

Sobre o autor

Elihu Duayer. Fonte: página do autor no Facebook.

Elihu Duayer nasceu em janeiro de 1955 na cidade de Tombos, em Minas Gerais. Quando tinha cinco anos, sua família se mudou para o Rio de Janeiro, cidade onde ele mora desde então. Ele já trabalhou como designer e cartunista.

Ele começou a desenhar sem formação acadêmica, mas, pouco tempo depois, estudou na Faculdade de Artes Plásticas de Vincennes, na França, e na Escola Técnica de Artes Gráficas do SENAI, no Rio de Janeiro.

Nos anos 70, ele começou a publicar suas tirinhas na Pasquin, na Mad, na Satus Humor e em outros jornais e revistas do Brasil.  Na década de 80, publicou em jornais e revistas como o *Libération* (França), *A Contrario* (Brasil) e *Informe de Kenia* (África).

Ele trabalhou na área de publicidade e, em 2005, colaborou com o extinto Jornal do Brasil. Após um período sem atividade, em 2012, voltou a desenhar tirinhas.

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Todas as ilustrações da exposição

(Versão em PDF)

Sindicato da polícia pede a retirada de uma charge de uma exposição sobre direitos humanos em Getxo
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