A Guerra Russo-Japonesa em charges (1904-1905)

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16.07.2026|

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A Batalha de Tsushima, 1905, pintura de Tōjō Shōtarō

A Batalha de Tsushima, 1905, pintura de Tōjō Shōtarō. Por Tōjō ShōtarōDomínio público.

A Guerra Russo-Japonesa (1904-1905) foi um conflito decisivo na história moderna e é considerada uma das primeiras “guerras totais”. Chegou a ser chamada de“Guerra Mundial Zero”, marcando a ascensão do Japão como potência mundial, além de revelar pontos fracos do Império Russo, o que, para alguns historiadores, representou um prenúncio da Revolução de 1905.

A primeira grande guerra do século XX opôs um Japão em ascensão ao gigante russo. Em menos de dois anos, o equilíbrio de poder na Ásia foi alterado. A vitória do Japão sobre a Rússia — a primeira sobre um país europeu — transformou o cenário internacional numa época em que o colonialismo começava a se desenvolver.

A causa do conflito bélico foi a rivalidade pelo controle da Manchúria e da Coreia entre a Rússia (que estava expandindo a Ferrovia Transiberiana e buscava portos livres de gelo, como Port Arthur, atualmente Lüshunkou) e o Japão (que via a Coreia como um enclave vital para sua segurança).

A Guerra Começa

Primeira página do jornal *La Correspondencia de España* de 11/02/1904 com a manchete “Rússia e Japão em plena guerra”
Primeira página do jornal La Correspondencia de España de 11/02/1904 / Biblioteca Virtual de Imprensa Histórica

Tudo começou em 8 de fevereiro de 1904, quando o Japão lançou um ataque surpresa contra Port Arthur, sem uma declaração formal de guerra, uma ação semelhante à sua estratégia de 1894 contra a China e que se repetiria em 1941 em Pearl Harbor.

As principais batalhas dessa guerra foram a de Port Arthur (cercamento prolongado e queda em janeiro de 1905), a de Mukden (fevereiro/março de 1905, a maior batalha terrestre até então) e a de Tsushima, em maio de 1905, que representou a vitória decisiva do Japão, destruindo dois terços da frota russa do Báltico e considerada uma das grandes batalhas navais da história, tendo até mesmo sido adaptada para os quadrinhos, e a maior derrota naval da Rússia czarista.

O fim do conflito se daria com a mediação do presidente norte-americano Theodore Roosevelt, por meio do Tratado de Portsmouth (texto do tratado), assinado em 5 de setembro de 1905. O Japão obteve Port Arthur, a metade sul de Sakhalin e o reconhecimento de sua influência na Coreia.

A visão do Oriente e do Ocidente

Desde o início das tensões, a mídia de todo o mundo acompanhou de perto o conflito, e na imprensa internacional começaram a surgir as primeiras notícias acompanhadas de caricaturas. Aqui estão reunidas algumas dessas imagens, bem como as publicadas nos países em conflito, nos Estados Unidos, na Espanha e em outros países.

No Japão, as revistas satíricas influenciadas pelo estilo ocidental destacam tirinhas que glorificam o almirante Tōgō (herói de Tsushima) ou caricaturando o czar Nicolau II, enquanto o Império Russo era retratado como um bêbado, um monstro feio ou um grande urso feroz domado por um Japão que era desenhado como um pequeno, mas habilidoso, samurai, embora também fosse representado em outras cenas como uma raposa.

A Tokyo Puck foi uma famosa revista japonesa de sátira e caricatura, fundada em 1905 pelo cartunista Kitazawa Rakuten. Seu nome era uma declaração de intenções, sendo uma adaptação da revista norte-americana Puck. A revista surgiu bem no contexto da guerra e, em seus primórdios, mostrava-se crítica ao governo, tendo a publicação de várias edições sido proibida; porém, após o“incidente de alta traição” de 1910, adotou uma linha mais conservadora e passou a se concentrar mais em assuntos da vida cotidiana.

Mais tarde, surgiu outra versão asiática da revista americana Puck. Em 1906, foi fundada a Osaka Puck, com o artista de estilo ocidental Akamatsu Rinsaku desempenhando um papel fundamental. Seu formato a colocava em oposição à “Tokyo Puck”.

Muitos artistas japoneses, como Kobayashi Kiyochika (1847-1915), Toshihide Migita (1862-1925) e Kabaragi Kiyokata (1878-1972) produziram inúmeras gravuras em madeira coloridas de estilo patriótico, bem como uma grande quantidade de fotografias, pinturas e ilustrações durante a Guerra Russo-Japonesa.

As capas da revista Puck (EUA)

Na imprensa ocidental, a partir dos Estados Unidos, revistas como a Puck e a Judge, que inicialmente apoiavam o Japão como“vítima” do expansionismo russo, passaram, posteriormente, a demonstrar preocupação com sua ascensão, recorrendo à ideologia racista do“Perigo Amarelo” e alimentando a teoria de que a China e o Japão haviam se aliado para conquistar e escravizar o mundo ocidental.

Muitas vezes, o Japão era retratado como uma vespa ou um soldado minúsculo, mas eficaz, diante de um Império Russo desproporcionalmente grande, porém corrupto e medieval.

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16 de novembro de 1904. Nº 1446. A ilustração de Udo J. Keppler ( 1872-1956) mostra um soldado russo bêbado segurando um jarro de vodca e brandindo violentamente uma espada ensanguentada contra uma vespa que representa o Japão. John Bull (Grã-Bretanha) e o Tio Sam (EUA) estão sentados ao fundo. Na legenda, ao pé da imagem, está escrito “Enlouquecer”. Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.

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17 de maio de 1905. Capa da edição nº 1472, de Udo J. Keppler. A cena mostra Mutsuhito (Meiji), o Imperador do Japão, espreitando do leste, por cima de um grande globo terrestre, em direção à Europa, onde os governantes de várias nações se reúnem ao lado de Nicolau II, o imperador ferido e incapacitado da Rússia; há preocupação entre os líderes europeus sobre para onde o Japão se dirigirá após derrotar a Rússia. Na parte inferior, a legenda “Quando?”. Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.

No Reino Unido, aliado do Japão desde 1902, após a assinatura de sua aliança para conter o expansionismo do Império Russo no “Extremo Oriente” e proteger os interesses territoriais de ambos os impérios na Ásia, a revista Punch retratava os japoneses como civilizados e heróicos, o que contrastava com o estereótipo asiático da época. Quase toda a restante imprensa inglesa também se alinhou com o Japão.

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Caricatura de William Kerridge Haselden, publicada em 9 de fevereiro de 1904 no Daily Illustrated Mirror. Título: “O corajoso Japão ataca o polvo russo” (representado com cabeça de urso). Legenda: “Um dos tentáculos do monstro ameaça a Coreia e a Manchúria, e nosso aliado oriental está totalmente preparado para enfrentar a situação como ela merece”.

A primeira página do Daily Illustrated Mirror daquele dia também estava dedicada à guerra. A imagem intitulada “A esquadra à espera” traz esta legenda: “Navios japoneses patrulham em frente a Wei-hai-wei, prontos para entrar em combate com os navios de guerra russos que vêm da Europa. Sua missão implacável é impedir que os reforços cheguem à frota russa, que, segundo se sabe, está estacionada em frente a Port Arthur”.

Dez dias depois, publicariam outra capa com uma ilustração sem assinatura sobre um episódio drástico de disciplina militar no seio do comando russo, sob o título:“Oficial russo morre após ser baleado por seu comandante”. A legenda dizia:“Quando os caça-torpedeiros japoneses atacaram a frota russa em Port Arthur, vários oficiais russos estavam em terra assistindo a um circo. Um correspondente em São Petersburgo telegrafou que o almirante Alekséyev conduziu uma investigação sobre a conduta deles e, convencido da culpa de um tenente, sacou seu revólver e matou a tiros o jovem oficial na presença de seus colegas”.

Na capa, também se destacava, com evidente sarcasmo: “A CRUELDADE DA‘SANTA RÚSSIA’. Refugiados japoneses tratados brutalmente em Port Arthur”.

Na França, país com uma tradição satírica histórica, revistas como *Le Rire* ou *L'Assiette au Beurre* concentraram-se mais na crítica à Rússia (por sua aliança com a França) ou em aspectos do exotismo do Japão. Grande parte do financiamento da Rússia para a guerra contra o Japão provinha da França. Em virtude da Aliança Franco-Russa assinada em 1892, o governo francês e um consórcio de grandes bancos parisienses, como o Crédit Lyonnais, emitiram grandes empréstimos que permitiram ao czar Nicolau II arcar com as despesas de seu aparato bélico contra o Japão.

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A revista “L'Assiette au Beurre” foi uma publicação satírica francesa de caráter anarquista, anticlerical e anticolonialista, publicada entre 1901 e 1936. Em sua edição nº 151, de fevereiro de 1904, no início da Guerra Russo-Japonesa, a revista dedicou todo o seu conteúdo (16 páginas) a caricaturas políticas mordazes, nas quais Adaramakaro satiriza os principais protagonistas. Na capa, uma mulher japonesa chicoteia um pequeno homem russo.

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Fonte da imagem: gallica.bnf.fr (site indisponível) / Bibliothèque nationale de France

Ilustração de página inteira intitulada “Na Manchúria”, a principal frente terrestre da Guerra Russo-Japonesa. Foi publicada na revista *Le Rire* em 1905. Essa revista foi uma das revistas satíricas mais influentes e emblemáticas da Belle Époque.

Na cena, um soldado japonês conversa com um russo que se espreita de sua trincheira ou bunker fortificado com troncos.

O JAPONÊS. — Mesmo assim, velho amigo, que surra você levou!

O RUSO. — Pode ser!... mas não sou eu quem vai pagar.

O autor é Tomás Leal da Câmara (1876-1948), um renomado pintor, caricaturista e desenhista português de ideias republicanas. Devido a seus problemas políticos em Portugal — já que foi acusado de um delito de imprensa por causa de suas caricaturas críticas à situação política e social de seu país —, ele se autoexilou na Espanha entre 1898 e 1900. Lá, trabalhou para publicações conhecidas, como a *Madrid Cómico*. Mais tarde, ele se estabeleceria em Paris, tornando-se um dos ilustradores de destaque de outras revistas satíricas francesas de primeira linha, como L'Assiette au Beurre ou Le Canard Sauvage.

Vignetas e “gravuras populares” russas

Na Rússia, as revistas costumavam retratar os japoneses recorrendo a estereótipos de gueixas, samurais desajeitados ou “amarelos perigosos”, refletindo o racismo da época; no entanto, também apareciam críticas ao governo russo por sua incompetência militar e tirinhas em que o czar era enganado por conselheiros inepto, ou a frota russa era retratada como um urso desajeitado diante de uma raposa astuta (Japão).

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Sob o título “A geisha ‘desavergonhada’…”, na edição nº 32 da revista Budilnik, aparecia uma geisha segurando um barco. Trata-se do contratorpedeiro russo“Reshitelny”, que foi capturado pelos japoneses em agosto de 1904 no porto neutro de Chefoo, na China, um incidente que causou grande indignação internacional.

Na legenda, pode-se ler:“Geisha: —Agindo como uma bandida, consegui um contratorpedeiro à custa de um tapa russo e do desprezo europeu... Seria bom conseguir agora um cruzador pelo mesmo preço: afinal, minha outra face está intacta! A vergonha não é fumaça, não vai cegar seus olhos...”

A frase final é uma expressão usada de forma cínica para dizer que a vergonha ou a desonra não causam um dano físico real; por isso, esse personagem não se importa em perder a reputação ou a dignidade, desde que obtenha um benefício material (neste caso, os navios de guerra). A marca da mão negra em sua bochecha representa esse “tapa” ou humilhação moral sofrida.

O Budilnik (em russo, Будильник, “O Despertador”) foi um semanário satírico publicado entre 1865 e 1871 em São Petersburgo e entre 1873 e 1917 em Moscou.

Fonte: CaricaTura na história : Será que é a própria “Butterfly”? Jornalistas satíricos sobre o Japão em 1904–1905 / Sociedade Histórica Russa.

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(Para ler o texto que aparece abaixo da imagem, clique no círculo vermelho que aparece sobre ela)

Este é um exemplo muito representativo do lubok (лубок), uma série de gravuras no estilo da arte popular russa que combinava ilustrações simples com textos narrativos ou satíricos. No início da guerra, em 1904, a propaganda oficial czarista utilizou massivamente essas gravuras para inspirar confiança na população, retratando o soldado russo como um gigante bem-humorado e invencível diante de inimigos pequenos e ridículos.

Esta ilustração foi publicada apenas duas semanas após o início das hostilidades. Um imponente camponês ou soldado russo (muzhik), com barba e gorro tradicionais, está confortavelmente sentado com as pernas abertas sobre a região da МАНЧЖУРІЯ (Manchúria). Seu pé direito repousa sobre as fortificações de Портъ Артуръ (Port Arthur), enquanto seu cotovelo esquerdo aponta para Владивостокъ (Vladivostok), os dois pontos estratégicos fundamentais da marinha russa no Pacífico.

Do outro lado, aparecem os inimigos: o Tio Sam (EUA) e John Bull (Reino Unido), que segura um soldadinho japonês. Atrás deles, está representado um dignitário da dinastia Qing (China), que também parece ser minúsculo.

As caricaturas russas frequentemente incluíam cenas grotescas dos japoneses derrotados e em pânico diante do inimigo feroz, todo-poderoso e gigante: eram retratados ataques ousados de cossacos e marinheiros, ou as vicissitudes das relações com os Estados Unidos e a Inglaterra, vistos como países desajeitados. No início da guerra, quando as expectativas de vitória eram muito otimistas, as “impressões populares” satíricas eram ousadas e insolentes, até mesmo arrogantes.

Eles zombavam da covardia e da fraqueza do adversário, atribuindo-lhe estupidez e ganância, ridicularizando aspectos físicos como a altura, a cor da pele e as características faciais. As críticas e o desprezo, ou mesmo os insultos racistas, pareciam não ter limite algum, mas a maior parte do público recebia essas imagens de braços abertos. (Fonte).

O mistério das tirinhas japonesas na revista The New Zealand Graphic

Merece destaque especial o caso das ilustrações — sobretudo aquelas que glorificavam o Japão — publicadas no jornal *New Zealand Graphic*, da Nova Zelândia.

O New Zealand Graphic and Ladies’ Journal (1890-1908), mais tarde conhecido como Weekly Graphic and New Zealand Mail (1908-1913), era uma revista semanal ilustrada que incluía uma grande variedade de textos literários, reportagens especiais, fofocas da sociedade e artigos sobre moda. Foi a primeira publicação desse tipo a utilizar a fotogravura na Nova Zelândia.

Este semanário alcançou um marco satírico em sua edição de 8 de julho de 1905, quando, pela primeira vez, uma revista neozelandesa publicou caricaturas a partir de uma perspectiva estrangeira. Tratava-se de uma intrigante série de caricaturas de propaganda japonesa sobre a Guerra Russo-Japonesa.

Quando os leitores analisavam essa série de charges, publicadas sem assinatura, não sabiam ao certo se a revista apoiava ou se opunha à guerra. Algumas imagens parecem sugerir que a guerra simplesmente provocaria uma revolução na Rússia, enquanto em outras se via com receio a ascensão do Japão como potência militar e econômica no Pacífico.

Embora também tenham publicado caricaturas sob a perspectiva ocidental, não está claro por que essas gravuras de propaganda japonesa com um ponto de vista patriótico foram publicadas. O pouco que se sabe a respeito é que as ilustrações foram originalmente divulgadas em cores no Japão como um folheto de propaganda (possivelmente pelo editor Tomizato Nagamatsu), e especula-se que um jornalista ou um viajante possa ter obtido uma cópia dessas ilustrações, que mais tarde teria sido enviada à revista. (Fonte)

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Fonte: Biblioteca Digital da Cornell

Cena de uma batalha naval. Um navio japonês afunda um navio russo. Vê-se o “Urso Branco” (representação satírica do Império Russo, personificado especificamente por meio da figura de um militar de alto escalão ou do próprio czar na forma de um urso polar ou ártico) sendo lançado pelos ares do navio russo, enquanto alguns trabalhadores chineses fogem em direção ao navio japonês.

Existe uma coleção de ilustrações de propaganda russo-japonesa, que inclui gravuras em madeira, na biblioteca da Universidade de Cornell, noArquivo de Materiais Raros da Kroch Asia, onde é possível ver as versões originais coloridas das gravuras reproduzidas na revista New Zealand Graphic. O arquivo também disponibiliza traduções para o inglês do texto em japonês que aparece nas gravuras.

A neutralidade da Espanha

Apenas três dias após o início da guerra, a Espanha ordenou que seus súditos observassem “a mais estrita neutralidade”. Assim, na quinta-feira, 11 de fevereiro de 1904, foi publicada a ordem na Gaceta de Madrid (também conhecida como Gazeta de Madrid), nome pelo qual era chamada, entre 1661 e 1936, a publicação que hoje conhecemos como Boletim Oficial do Estado (BOE).

Ministério de Estado: Seção de Política.—Cessação das hostilidades entre a Rússia e o Japão.—Ordem do Governo de Sua Majestade para que os súditos espanhóis observem a mais estrita neutralidade no que diz respeito às duas potências beligerantes, de acordo com as leis vigentes e os princípios do direito público internacional.

Na revista satírica ¡Cu-Cut!, sete dias depois, na página 109 da edição nº 112, de 18 de fevereiro, nossa neutralidade foi alvo de ironia.

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Na ilustração de Joan García-Junceda i Supervia intitulada “DA GUERRA”, aparece um russo usando o típico gorro de pele (ushanka ou similar) lendo a Gaceta de Madrid, acompanhada da legenda:

—“A Espanha permanecerá neutra no conflito russo-japonês.” Agora sim podemos comemorar a vitória.

A capa dessa mesma edição, ilustrada por Cayetano Cornet i Palau ( 1878–1945), também era dedicada ao conflito entre russos e japoneses e continha várias outras vinhetas alusivas à guerra. Você pode ler esta edição completa aqui. A revista ¡Cu-Cut! publicou uma boa quantidade de piadas relacionadas ao conflito.

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Em primeiro plano, um soldado japonês (vestindo trajes tradicionais de samurai) luta corpo a corpo com um soldado russo (com seu característico gorro de pele e casaco grosso). O japonês empunha uma katana, enquanto os dois se agarram agressivamente. Aos pés deles, caíram os objetos da disputa, representados como itens do dia a dia que foram roubados. Trata-se de uma carteira ou porta-moedas aberta, da qual saem algumas moedas, com a etiqueta “MANCHÚRIA”, e um relógio de bolso, com a etiqueta “COREIA”.

Ao fundo, à direita, vê-se uma mulher chinesa vestida com trajes tradicionais, amordaçada e amarrada a um poste, obrigada a assistir, imóvel, enquanto os dois soldados brigam pelos pertences que acabaram de roubar dela.

Na legenda, pode-se ler: “A questão do Extremo Oriente. Rússia e Japão disputando o relógio e a carteira que haviam roubado da China”.

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Tradução: “O jogo do ‘me ama, não me ama’ no Extremo Oriente.”

A caricatura de Robert William Satterfield (1875/1958), conhecido como Bob Satterfield ou “Sat”, refletia o clima pré-bélico entre as duas potências. A Rússia e o Japão brincando do clássico “me ama, não me ama”, arrancando pétalas de margaridas com os termos “War” (Guerra) e “Peace” (Paz)

Esta foi publicada em 15 de janeiro de 1904 no The Tacoma Times. As iniciais “N.E.A.” logo abaixo da assinatura do autor correspondem à Newspaper Enterprise Association, um sindicato de jornais norte-americano fundado em 1902 por Edward Willis Scripps. Satterfield trabalhava para essa agência, por isso suas charges sobre política internacional eram publicadas simultaneamente em jornais locais de todo o país. O cartunista costumava assinar com o que é conhecido como“O urso do Sat”, um personagem que representava uma cena extra, fazia uma referência ou acrescentava um comentário adicional à charge.

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Tradução: Uma partida de cartas. Ele está blefando?

Caricatura de Elmer Andrews Bushnell (E.A. Bushnell) 1872-1939, publicada no jornal The Tacoma Times (Washington) em 22 de janeiro de 1904.

O Império Russo, representado por um urso, e o Império do Japão, retratado como uma raposa, jogam uma partida de cartas apostando seus respectivos arsenais. Ambos se perguntam se o outro está blefando. A Guerra Russo-Japonesa começaria 17 dias depois.

Bushnell trabalhou para jornais de Ohio e Nova York. Ele é lembrado por uma ilustração que criou por ocasião da aprovação da 19ª Emenda, para representar as oportunidades que se abriam para as mulheres com o direito ao voto. A imagem, intitulada“Agora, o céu é o seu limite”, foi publicada no Sandusky Star-Herald em 23 de agosto de 1920.

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"Depois de Mukden". A fuga de um oficial e sua amante. Vinheta do New Zealand Graphic de 8 de julho de 1905. Coleções do patrimônio das bibliotecas de Auckland NZG-19050708-28-2

Tradução do texto sobre a charge: “A loucura (ou insensatez) é a mais incurável das doenças”. Texto na legenda: “Depois de Mukden: A fuga de um oficial e sua amante. (A imoralidade descarada do acampamento russo foi muito comentada pelos correspondentes estrangeiros)”.

Quando os japoneses atacaram os russos durante a batalha de Mukden, quase conseguiram cercar suas tropas. A charge mostra um oficial russo fugindo com sua amante durante a retirada, em meio ao pânico que se seguiu ao colapso da retaguarda russa.

Outro tema recorrente nas charges foi a revolução russa de 1905, que muitos meios de comunicação aproveitavam para associar como efeito ou até mesmo como causa da derrota para o Japão.

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Nesta charge de Claude Maybell, muito provavelmente publicada no final de 1905 ou início de 1905 no San Francisco Chronicle (jornal para o qual ele trabalhava naquela época), utiliza-se uma metáfora espacial para mostrar a dupla frente destrutiva que assolava o governo czarista de Nicolau II.

No centro, o Czar da Rússia, vestindo sua coroa imperial e uniforme militar, aponta seu rifle com baioneta engatada para um soldado japonês que avança decidido em sua direção. O czar, totalmente concentrado no conflito externo, não percebe que, aos seus pés, está surgindo o descontentamento interno. Da escotilha, aparece a cabeça de um personagem com cabelos e barba desgrenhados e uma expressão enlouquecida, identificado como NIHILIST (Nihilista, o termo com o qual, no Ocidente, se agrupavam os revolucionários, anarquistas e agitadores russos antibélicos). Em uma das mãos, ele segura uma bomba acesa, de cujo pavio brota uma densa fumaça preta que forma a palavra REVOLUTION (Revolução).

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Tradução. Título: “A vara vai quebrar?”. Legenda: “O Sr. Japão em seu grande número de malabarismo”.

Bob Satterfield desenhou várias caricaturas relacionadas ao conflito entre o Japão e a Rússia, como esta, que também foi publicada no *The Tacoma Times* em 20 de julho de 1904, na qual a personificação do Império do Japão mantém em equilíbrio sobre a cabeça uma vara de bambu com a inscrição “Port Arthur”, em cuja ponta balança, de forma ainda mais precária, o urso russo. Onze dias após a publicação dessa charge, teve início o cerco a Port Arthur.

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Tradução do texto na legenda da vinheta: “A perda do Petropavlovsk foi grave para a frota russa, mas não decisiva.” — General Miles.

Na charge de Bob Statterfield, publicada em 21 de abril de 1904 no The Tacoma Times, o urso russo levanta as patas envoltas em luvas de boxe enquanto desafia um boxeador japonês para o “Campeonato do Extremo Oriente”, e este pergunta: “Você ainda não se fartou?”. As inúmeras bandagens que cobrem o corpo e o short de boxe do urso indicam as graves perdas sofridas pela Rússia. Ao fundo, o urso mascote de Satterfield consulta um cronômetro para ver quanto tempo ainda vai durar a luta.

O Petropavlovsk foi o navio-almirante russo que naufragou após colidir com uma ou várias minas japonesas em frente a Port Arthur, em abril de 1904. Seu naufrágio, no qual morreram o almirante Makarov, o célebre pintor de cenas de guerra Vasily Vereshchagin — que fazia esboços para futuras pinturas —, o chefe do Estado-Maior da Esquadra do Pacífico, o contra-almirante Mikhail Molas, dez oficiais e 18 suboficiais, dois médicos, um padre e dois oficiais militares. No navio de guerra também morreram cerca de 650 marinheiros, o que representou uma tragédia nacional na Rússia e uma perda devastadora que a propaganda tentava minimizar. Alguns consideram que esse episódio foi um dos fatores que aceleraram a derrota final da Rússia.

Em 2012, os restos do casco do Petropavlovsk, com 70 metros de comprimento e 13 de largura, foram encontrados a uma profundidade de 34 metros, perto de Port Arthur (Lüshunkou).

Tratado de Portsmouth

O Tratado de Portsmouth pôs fim à guerra. Foi assinado em 5 de setembro de 1905 no estaleiro naval de Portsmouth, em Kittery, Maine, nos Estados Unidos. O então presidente dos EUA, Theodore Roosevelt, atuou como mediador nas negociações, o que lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz em 1906.

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Komura Jutarō (1855–1911), à esquerda, observa enquanto o representante russo Serguéi Witte assina os documentos do tratado. Ao fundo, aparece o funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Herbert H.D. Peirce. Não foi permitida a entrada de fotógrafos na sala de conferências, mas um membro da delegação russa fez este esboço, que foi enviado a São Petersburgo e distribuído à imprensa estrangeira. Extraído de *Lietopis Voiny's Yaponye* (Crônica da Guerra com o Japão).

O Japão e a Rússia concordaram em evacuar a região da Manchúria e devolver a soberania desse território à China, mas o Japão obtinha, por “concessão”, a península de Liaodong, onde se localizavam Port Arthur e Dalian, com direitos de extraterritorialidade, e o governo japonês passava a assumir o controle do sistema ferroviário russo na Manchúria meridional, com acesso a importantes recursos estratégicos. O Japão também recebia da Rússia a metade meridional da ilha de Sakhalin.

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A página de assinaturas do Tratado (cópia) sobre o tapete de mesa original, juntamente com as canetas e o lacre utilizados em 5 de setembro. Foto: Sociedade Japão-América de NH.

Lüshunkou (historicamente conhecida no Ocidente como Port Arthur) deixou de pertencer ao Japão ao final da Segunda Guerra Mundial, em agosto de 1945. Após a rendição japonesa, o controle do porto passou para as mãos da União Soviética, que ocupou a região. Por fim, foi devolvida à República Popular da China em 1955.

Fontes consultadas

Papers Past, acervo on-line da Biblioteca Nacional da Nova Zelândia.

Heritage et al. Coleções e recursos exclusivos dos centros de pesquisa e das coleções patrimoniais das Bibliotecas de Auckland (Nova Zelândia).

Arquivo Britânico de Cartuns. Universidade de Kent.

Site oficial da Sociedade Histórica Russa.

Imagens do inimigo e de si mesmo: “gravuras populares” russas da Guerra Russo-Japonesa. Yulia Mikhailova. ACTA SLAVICA IAPONICA. Volume 16 (1998).

Biblioteca Presidencial Boris Yeltsin

Kobayashi Kiyochika (1847-1915). Caricaturas sobre a Guerra Russo-Japonesa.

Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes.

Biblioteca Virtual de Imprensa Histórica

Blog oficial do Museu Lázaro Galdiano.

História em Quadrinhos. Blog do Guille.

Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.

Biblioteca Digital da Cornell.

Instituto da Declaração de Direitos.

Site sobre o Tratado de Paz de Portsmouth, da Sociedade Japão-América de New Hampshire.

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